O que é cachaça?

A MAIS BRASILEIRA DAS BEBIDAS

Todo país tem uma bebida destilada famosa. A do Brasil é a cachaça, ou pinga, e ela faz parte da receita de um dos drinks mais famosos do mundo, a Caipirinha.

Não existe brasileiro que não conheça a cachaça e não existe visitante de fora que não venha a conhecê-la. A cachaça é, junto com a alegria contagiante do brasileiro, a sua marca registrada. Todo brasileiro tem muito carinho por ela, que tem um perfume forte e efeito poderoso. A cachaça não é para ser bebida sem o devido respeito. Sua graduação alcóolica pode variar de 38% a 48%, o que é um bocado se você considerar que uma cerveja raramente terá teor alcóolico maior que 10%. É por isso que dizem que beber cachaça pura é apenas para os fortes, e a maioria das pessoas a mistura em drinques, como a tradicional caipirinha ou o rabo de galo.

Com mais de 4 mil alambiques espalhados por praticamente todos os Estados brasileiros, a história da cachaça está intimamente ligada com a história da colonização portuguesa do país e representa a cultura brasileira, assim como a feijoada, o carnaval e o futebol.

Existem diferentes versões para a origem do nome, que pode ter vindo da velha língua ibérica – cachaza, que significa vinho de borra (vinho inferior bebido em Portugal e Espanha) – ou ainda, por seu uso para amaciar a carne de porcos selvagens, chamados de “cachaço”, o porco, e “cachaça”, a porca.

“Cachaça” também foi o nome dado à primeira espuma que subia à superfície do caldo de cana fervido e era dada aos animais ou descartada. A segunda espuma, apenas consumida pelos escravos, acabou ganhando o apelido de “pinga” porque o líquido durante a sua fermentação o valor se concentrava no teto e “pingava” após sua condensação.

A história da cachaça

A cachaça é obtida por meio da destilação do caldo de cana ou do melaço fermentados.

Os portugueses chegaram ao Brasil e iniciaram sua colonização em 1500 e, antes mesmo do fim do primeiro século, já se produzia a cachaça no Brasil. Isso porque o que se plantou por todo o país foi a cana-de-açúcar, para a produção do açúcar e do melaço que eram vendidos à Europa. O que acontece é que no processo da produção do açúcar, ao se fermentar o suco da cana, produz-se uma espuma.

Esta espuma não era descartada, mas dada aos animais domésticos, gado e porcos. Com o tempo, os escravos que trabalhavam nos engenhos começaram a receber porções desse produto da fermentação para consumirem enquanto trabalhavam. Com o aprimoramento do processo de produção, o sucesso que a cachaça fazia entre os escravos começou a chamar a atenção de consumidores de gostos mais refinados. A produção de uma cachaça de melhor qualidade passou, então, a ser vendida à Europa juntamente com os outros produtos da cana.

Nos dias de hoje, a cachaça é produzida de formas variadas, em pequenas destilarias, para consumo pessoal, ou pelos grandes produtores, que fazem a cachaça em escala industrial para consumo doméstico e exportação. Há também os produtores de médio porte, das cachaças especiais, ou “artesanais”, voltadas para um público seleto de amantes da bebida, algumas com prêmios importantes e até internacionais. A cachaça padrão, vendida em qualquer lugar do Brasil, apresenta apenas variação na quantidade de açúcar que se adiciona à bebida. Já as cachaças especiais podem ser curtidas em barris de madeira ou misturadas com frutas ou ervas que lhes dão sabores diferenciados.

Nomes sem fim

Cachaça é a palavra da língua portuguesa com mais sinônimos, chegando a quase 2.000, dos quais quase 600 em uso atualmente.

Dados históricos

A primeira plantação de cana-de-açúcar no Brasil foi feita em 1504 por Fernão de Noronha, na ilha que foi batizada com seu nome (hoje conhecida como Fernando de Noronha), e o primeiro engenho de açúcar foi construído em 1516, na Feitoria de Itamaracá, criada pelo rei D. Manuel, no litoral onde está o atual Estado de Pernambuco.

Apesar de não haver um registro preciso sobre a primeira destilação da cachaça no território brasileiro, segundo historiadores ela ocorreu em algum engenho do litoral, entre os anos de 1516 e 1532, sendo, portanto, o primeiro destilado da América Latina.

No final do século XVI, passou a ser produzida em alambiques de barro e depois de cobre, como aguardente. No século seguinte, passou a atrair consumidores, a ter importância econômica e valor de moeda corrente. Já com as técnicas de produção aprimoradas no século XIX, a cachaça passou a ser muito apreciada, sendo consumida principalmente pela aristocracia em banquetes nos palácios.

Depois da metade do século XX, a cachaça teve influência na vida artística nacional, com a “cultura de botequim”. Passou a ser servida como a bebida brasileira oficial em embaixadas e eventos oficiais internacionais.

“Cachaça é a denominação típica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil, com graduação alcoólica de trinta e oito a quarenta e oito por cento em volume, a vinte graus Celsius (°C), obtida pela destilação do mosto fermentado de cana-de-açúcar com características sensoriais peculiares, podendo ser adicionada de açúcares até seis gramas por litro, expressos em sacarose”.

Cachaça no exterior

A Cachaça ganhou popularidade e notoriedade no exterior graças à exportação cultural da Caipirinha. No entanto, não foi tão simples, especialmente nos EUA, onde qualquer destilado derivado da cana de açúcar deve ser rotulado como rum – no caso da cachaça, “Rum brasileiro”. Houve um período de debate prolongado sobre a cachaça ter a sua própria classe, como tequila, ou uma “denominação” dentro de uma classe mais ampla, como o conhaque e o champanhe. Finalmente, em 2012, após quase 40 anos de lobby, o governo dos EUA concordou em reconhecer a cachaça como um produto brasileiro genuíno, o que significa que ela deve ser rotulada e vendida de acordo a esse parâmetro. Por sua vez, o Brasil prometeu reconhecer o bourbon americano e o whisky do Tennessee.
Esta é uma boa notícia para várias marcas nacionais, pois avaliam seu potencial comercial no exterior, que por onde se veja, é generoso, pois a maioria da cachaça produzida – quase 99% – é consumida no Brasil. Talvez seja hora da cachaça vencer em Londres!